Após vistoria, CREA recomenda isolar região onde parte de estrutura de passarela caiu em Natal

Conselho destacou a medida como forma de evitar acidentes e considerando a grande quantidade de transeuntes no trecho da avenida. Uma parte da estrutura metálica caiu no dia 14 de julho.

Um relatório de vistoria preliminar do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RN (CREA) apontou a necessidade de intervenções “em caráter de emergência” na passarela da Avenida Nevaldo Rocha, no bairro das Quintas, Zona Oeste de Natal, de onde uma parte da estrutura desabou há cerca de uma semana.

O CREA aponta que a medida é urgente para evitar acidentes. Dessa forma, foi proposto no relatório o isolamento da área “considerando o grande número de transeuntes no local”.

Passarela tem oxidação e corrosão acentuadas, aponta relatório — Foto: Divulgação

O relatório foi feito motivado exatamente diante da queda de parte da estrutura no dia 14 de julho. A própria passarela – que é de responsabilidade de Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU) – já está interditada para passagem de pedestres há alguns anos.

A STTU informou que chegou a iniciar o processo de reparação da passarela, mas o trabalho foi interrompido por abandono da empresa contratada. A pasta disse ainda que abriu nesta própria quinta (21) um processo para contratação de emergência (veja detalhes mais abaixo).

Vistoria

A vistoria apontou que a estrutura metálica possui “um estado de oxidação e corrosão acentuada, porém passível de recuperação se for realizada de imediato a sua intervenção”. Caso isso não ocorra, reforça o relatório, a estrutura “deverá ser desmontada”.

“Também de forma conclusiva podemos afirmar que o estado crítico de algumas partes da estrutura que foram verificadas durante as inspeções não possuíram manutenção e vistoria periódica necessários, que somados à falta de tratamento superficial adequado integralizam o quadro histórico das causas das ocorrências encontradas”, concluiu o CREA.

Trecho com corrosão e oxidação — Foto: Divulgação

De acordo com o Conselho, a passarela tem cerca de 17 anos e não tem “registro de manutenções preventivas, objetivando verificar e avaliar o estado de segurança e conservação da estrutura metálica a fim de registrar e indicar, se necessário, as intervenções necessárias”.

O CREA informou ainda que já em 11 de janeiro de 2019 enviou um relatório de fiscalização recomendando a interdição total da passarela “em virtude do péssimo estado de conservação de sua estrutura metálica, pois não oferecia as condições mínimas necessárias a segurança dos usuários e dos cidadãos que passam por baixo na avenida, bem como o imediato desmonte ou recuperação da passarela”.

Trecho rompido por corrosão acentuada — Foto: Divulgação

Na avaliação feita nesta semana, o Conselho constatou que a prefeitura iniciou o processo de recuperação da estrutura pelo guarda corpo da passarela, mas o serviço foi paralisado.

Dessa vez, não houve análise em laboratório dos materiais empregados na estrutura, como os tipos de aço, solda e parafuso, assim como realização de inspeção no local com ultrassom, líquido penetrante ou outro teste nas soldas e perfis estruturais. Houve apenas a inspeção visual dos elementos, segundo o CREA.

O que diz a STTU

O secretário-adjunto de Mobilidade Urbana, Walter Pedro, explicou que a pasta abriu nesta própria quinta (21) um processo para contratação de emergência para reparo da passarela. Além disso, uma equipe tem monitorado o trecho, segundo ele.

“A gente já está fazendo o monitoramento com relação aos montantes do guarda-corpo que está com a situação mais grave de corrosão. A equipe está indo todo dia fazendo essa vistoria. E também a gente está abrindo hoje mesmo o processo para contratação de emergência para fazer a manutenção daquele equipamento”, disse.

O adjunto disse ainda que em 2020 uma empresa já havia sido contratada para o reparo, mas abandonou a obra.

“A gente já tinha um relatório anterior, além das nossas verificações, que já orientava para fazer a manutenção do equipamento, por isso a gente contratou. O que a gente não esperava é que a empresa abandonasse a obra no meio do caminho e principalmente sem começar, vamos dizer assim, definitivamente a parte estruturante da Nevaldo Rocha, que era a passarela mais crítica com relação a corrosão”, falou.

O contrato envolveria R$ 750 mil e tratava ainda outra passarela e a implantação de uma rampa na passarela da Salgado Filho em substituição ao elevador.

“Ela começou o trabalho, teve uma dificuldade com relação ao início da pandemia, a licitação foi no final 2020 e a pandemia proibiu que se tivesse aglomeração de trabalhadores. Ficou em suspenso a obra e em meados de 2021 reiniciou. Avançou bastante com relação à passarela da Salgado Filho, mas não fez a rampa, apesar de nossa cobrança, e começou os problemas” disse.

“Iniciou a manutenção da passarela da Avenida Bernardo Vieira [hoje Nevaldo Rocha], tratando o corrimão da passarela e simplesmente parou a obra, não nos informou. A fiscalização detectou o abandono da obra, a gente fez duas notificações e até então ela não apareceu mais para continuação, apesar das notificações. E a gente partiu pro distrato. Quando teve esse incidente da peça caír e devido a corrosão e a gente conjuntamente com o CREA deciciu fazer essa vistoria para deflagrar o novo sistema no novo processo licitatório”.

Queda de estrutura

Motorista mostra pedaço de metal que caiu da passarela das Quintas, em Natal — Foto: Pedro Trindade/Inter TV Cabugi

Um pedaço da estrutura metálica da passarela da avenida Nevaldo Rocha caiu sobre a via no dia 14 de julho no bairro das Quintas, na Zona Oeste de Natal. Ninguém ficou ferido.

O caso preocupou testemunhas, que disseram que o objeto tem mais de um um metro de cumprimento e pesa entre 5 e 8 quilos.

Os moradores da região consideraram que a peça poderia ter atingido um veículo ou pedestres na via, que é um dos principais acessos entre a Zona Oeste e Zona Norte da capital. Segundo o motorista por aplicativo Cícero Neves, o caso aconteceu por volta das 10h.

“Caiu do lado direito de quem vem no sentido ao viaduto da Urbana. Por sorte, as pessoas e os carros passando na hora estavam na faixa lado esquerdo. Caiu próximo à calçada. Poderia ter acontecido um acidente grave”, afirmou. “Isso é muito perigoso. Tem que tirar essa ferralheira daqui. Isso pode causar uma acidente feio”, acrescentou.